domingo, 25 de janeiro de 2009

CACOS DE AMAR


Cacos de meu amar rolando pelo morro abaixo.
Do meu amar que não se conhece desde o século passado.
Do meu amar primeiramente tecido por poeta enquanto seu fígado recebia bicadas.
Do meu amar que insiste em vir a mim pela escrita de outros prometeus.
Cacos de meu amar num barulho de avalanche.
Cacos de meu amar sem amada ou objeto de apaixonar.

Vai rolando abaixo e nem sei nomeá-lo com outro nome que não seja o verbo amar.
Cacos aos quais ninguém liga porque sou aparência de felicidade sob um sol de guarda-chuva.
Contemplo os outros rostos com a indiferença que me dedicam.
Cacos de meu amar rolam com meu umbigo.
Sei que podem ferir alguém lá embaixo excessivamente consciente de ter poder.
Mas que posso fazer se são cacos de amar e descascaram como cascas de ferida?

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