Perdi a alma enquanto corria pra cá.Não percebi, precisava recolher o que perdera.E o transporte espacial nunca atrasou.Corri, a mais não poder.Fui deixando também as roupas.Enquanto corria para cá.Precisava pegar o transporte junto a vocês.Sei que vocês notam minhas cores agora verdadeiras.Sei que vocês notam. Meus pais me entregaram a alma quando eu engatinhava.O conceito de alma não nasceu comigo.Nasceu comigo apenas o receptáculo do Ser.Meu, o uníco dever de enchê-lo de idéias.Mas meus pais e amigos e inimigos chutaram o penico onde me acostumei a colocar a própria merda.Me deram uma alma cultivada na cultura patriarcal.Com ela, dominei as mulheres de Meu Pai e xeroquei seus livros sagrados.Até que percebi numa tarde, em algum país de dentro, que em mim algo maior que a alma borbulhava.E apenas soltei os botões que apertavam em mim a roupa tradicional da alma.Por isso, quando corri para cá, a perdi no caminho. Acho.Quer dizer, acho, por estarem soltos seus botões."De repente, ela se esconde entre suas unhas",me disse aquele monge/padre/pastor/feiticeiroque colocou sua perna para me impedir a corrida.
quarta-feira, 4 de março de 2009
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