Cubatão, atenta no que digo,
E deixa eu ler-te o imberbe rosto...
Vejo, pelas linhas que ele tem,
Guerras que, valente, enfrentaste,
Aos olhos salsos dos sambaquis.
E enxergo-te a tostada face
Em araçás, jacatirões,Bananas, jacas, mexericas,
Dando perfume a tuas glórias,
Como cantou teu filho Afonso Schmidt,
Ao bem louvar-te a fauna e a flora.
Não precisa olhar, só ouve a canção
Que flui em teu rosto de rios e serras,
Guarida e piscina de ágeis pirralhos,
Vitrina de peixes, cujos olhos guardam
A nudez antiga de moças risonhas,
Acocoradas, se lavando,
Engrossando as coxas no agacharem-se,
De pito nos lábios, em paixão intensa,
Por artes de botos em candentes taras.
Escuto em teu peito o sangue quente
Do velho povoado em fluxo verde
Nas trilhas infindas de índios, que Ramalho,
Martim, Tibiriçá, e outros, percorreram,
Subindo o íngreme planalto, em caça
Dos tupinambás, valentes titãs.
Guarda essas moedas que caem dos lázaros.
Apanha-as do chão e com elas adquire
Um terreno ao pé de velha estrada serpenteante,
Onde descanses lembranças de DOM PEDRO I,
Que te cobiçou a pele morena, quase aqui deixando
O sêmen da independência.
Descansa a memória também de PEDRO II
E seca as mãos molhadas de MIQUELINA DOMINGUES
Que deu luz certeira à nossa terra em penumbra,
Primaverando sua argila de outono.

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