quinta-feira, 9 de abril de 2009

LENDO CUBATÃO


Cubatão, atenta no que digo,

E deixa eu ler-te o imberbe rosto...

Vejo, pelas linhas que ele tem,

Guerras que, valente, enfrentaste,

Aos olhos salsos dos sambaquis.

E enxergo-te a tostada face

Em araçás, jacatirões,Bananas, jacas, mexericas,

Dando perfume a tuas glórias,

Como cantou teu filho Afonso Schmidt,

Ao bem louvar-te a fauna e a flora.

Não precisa olhar, só ouve a canção

Que flui em teu rosto de rios e serras,

Guarida e piscina de ágeis pirralhos,

Vitrina de peixes, cujos olhos guardam

A nudez antiga de moças risonhas,

Acocoradas, se lavando,

Engrossando as coxas no agacharem-se,

De pito nos lábios, em paixão intensa,

Por artes de botos em candentes taras.

Escuto em teu peito o sangue quente

Do velho povoado em fluxo verde

Nas trilhas infindas de índios, que Ramalho,

Martim, Tibiriçá, e outros, percorreram,

Subindo o íngreme planalto, em caça

Dos tupinambás, valentes titãs.

Guarda essas moedas que caem dos lázaros.

Apanha-as do chão e com elas adquire

Um terreno ao pé de velha estrada serpenteante,

Onde descanses lembranças de DOM PEDRO I,

Que te cobiçou a pele morena, quase aqui deixando

O sêmen da independência.

Descansa a memória também de PEDRO II

E seca as mãos molhadas de MIQUELINA DOMINGUES

Que deu luz certeira à nossa terra em penumbra,

Primaverando sua argila de outono.

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