terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

DESDE O CRÂNIO COM SIMONE

Este é o tempo.
Tempo de existir.
Tenho que fazer
O que a respeito disso?
Existir como sujeito das próprias ações?
Pisei o jardim.
Mas as flores estão inteiras.
O cão à espreita tem pudores.
Foi criado por um leão manco.
Estou com a mente enevoada.
Tenho de continuar.
Confesso que quis parar.
Mas o tempo não voltaria.
Se eu enxergasse o cão como cão
Ou o leão como leão
Seria dominado por um teatro de sombras
.Tenho de continuar.
Veja como pareço objetivo.
Veja como se escondem as tristezas.
Veja como os meus pés tortos se escondem.
E tem um anjo negro que insiste
Em me dar esperanças de luz.
Quer me colocar pra cima.
Quer que eu atravesse o muro.
Tenho de prosseguir.
Veja como pareço burguês.
Veja como a gola está disposta.
Veja como meu nariz se exibe.
Tem um anjo negro que sorri
Um sorriso que me faz pensar em sexo.
Quer me elevar esse anjo-mulher e
Como leões e cães me morde.
Careço de olhos, mas tenho de continuar.
Me alimento de olhos.
Só olhos me sustentam.
Desde a Santa Ceia de Simon
eUsando o crânio de Sartre
Sei que este é o tempo.

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