segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

SONOEMFLU

Ouço as escolas de samba e é como se não.
Tento escrever numa linguagem que não.
Desvinculado o ouvido dos dedos, é assim.
Meus pés se mexem ao comando de quem
Eu penso que sou neste momento que passa.
Me encosto no ar antes do encosto
.Ouço as vozes que me falam sempre.
Vozes que me pedem, que me afugentam
De um carinho que perdeu medidas,
De um carinho que se esqueceu.
Movo a cabeça, movo os ombros,
E isso me diz que vivo, que tenho cérebro,
Que tenho substâncias químicas que me endereçam
A emoções que estavam na alma quando.
Quando eu acreditava na alma e na benção das seis.
Seis eram as horas irmãs de eu não pensar.
As horas de eu rezar e esquentar o ser.
Ouço as escolas crescendo no som que sinto.
Ouço o fogo do quarto pegando fogo.
E é como se não houvesse a diferença.
A diferença que faz o dia de hoje.
O suor escorre o cheiro de ontem.
E logo serei como milhares de corpos.
Estarei horizontal no relevo do colchão.
E será o sono o rei do corpo em fluxo.

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