domingo, 1 de fevereiro de 2009

TEMPO


Está certo. Vou dizê-lo.

Sou intervalo, sou medo.

E vou assim pessoando

o ser como fez Fernando.

Sei que levo à raiva e sei

que até desperto rancor.

Entre um brâmane e um dalit,

sou do pó e mais que dele,

sou do além-pó que me embala

em seu verso pária.

Sou triste? Pra uns o sou.

Alegre, choro sem dor.

Se caibo na minha pele,

é que ainda não voou

o tempo que me emagrece.

Por mim, daqui não iria

o ser pleno em voz vazia.

Vê só. Foi-se uma hora.

E eu sem estar, vou pra lá,

bem longe, pr’além-nariz,

pra você bem se instalar.

Assim, o tempo se escoa.

E tento eu ser feliz

em minha tristeza à-toa.

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